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quarta-feira, 18 de março de 2015

Brasileira! - Parte 6

Passei por mais um capítulo da saga. Desta vez, no Japão.

Nos primeiros dias lá, não me sentia no meu "habitat". A impressão que tinha era de estar num grande e aberto Bunkyo ("Bunka kyokan", "centro de cultura" em português).

No começo, era natural que a maioria dos japoneses achasse que eu fosse de lá. Por isso, falavam comigo em japonês. Ficava desesperada, porque falavam muito rápido e não entendia nada. Quando não perguntavam algo, era um alívio, porque só sinalizava com a cabeça que OK ou dizia "hai" ("sim") pra pessoa prosseguir com o diálogo (quase monólogo) ou simplesmente ignorava a "verborragia". A tensão era grande quando surgia uma pergunta e não entendia. Claro que dizia com jeitinho que não entendo muito japonês e as pessoas, algumas não tão gentilmente, tentavam falar mais devagar ou reformular a frase.

Em alguns casos, logo percebiam que eu era estrangeira, porque algumas vezes eu gaguejava, e já se comunicavam em inglês comigo. Mas isso em poucos lugares bem turísticos, porque ainda a grande maioria dos nipônicos não fala inglês, até entendem, mas não conseguem conversar.

Passado um mês ou mais, pensei que seria melhor tentar compreender o que as pessoas falam, sem se preocupar demais com a velocidade que falam. Daí, percebi que era possível entender, mesmo que fosse por palavras-chave e pelo contexto da conversa. E comecei a ficar feliz comigo mesma, porque acabava de dar um passo à frente no aprendizado.

Assim, me senti à vontade para conversar, mesmo que o básico. Pessoas do comércio me perguntavam de onde era e ficavam surpresas em saber que sou brasileira. Alguns diziam que meu país é longe. E muitos disseram que sou jyouzu ("habilidoso") no japonês. Como sei que dois anos de estudo é pouco para se virar, agradecia o elogio e dizia que preciso me esforçar para aprender mais.

Na realidade, no geral, era mais difícil tentar se comunicar em inglês, porque conseguia me expressar bem, mas os japoneses não conseguiam responder no mesmo idioma. Não adiantava muito. Me via apenas com a possibilidade de usar o conhecimento básico de japonês, o que realmente funcionava. Além disso, percebi que os japoneses se sentiam muito mais confortáveis em falar a própria língua (assim como qualquer um), inclusive em conversas com meus amigos não descendentes. Até parecia que quando a interação já era iniciada em inglês, eles se sentiam ofendidos ou algo assim.

O que continua sendo um mistério é ainda pensarem que sou - ou poderia ser - chinesa. Pra mim, pelo menos, tenho cara de brasileira ou de, no máximo, japonesa. Em Okinawa, era até comum encontrar pessoas que falavam chinês. É verdade que lá existem muitos turistas sino descendentes. Talvez por isso deduzissem que eu também poderia ser mais um deles.

Por um lado, faz sentido pensar que sou japonesa. Tenho fisionomia de uma - e me vestia como uma. Mas algo que pode ser um detalhe pra maioria é justamente o que faz toda a diferença. O jeito de agir e os gestos. Se alguém for me comparar com uma nativa, logo verá que sou diferente dela e, portanto, não sou japonesa.

Para mim, o que falta não só aos japoneses, mas para as pessoas em geral, é ter este tato, ter uma etapa para se fazer esta análise e, assim, ter mais informações para se deduzir a nacionalidade de um indivíduo, além de se ter a oportunidade de se aprender sobre as diferenças de culturas que muitas vezes ficam nas entrelinhas.



Veja a saga completa aqui!
Brasileira! - Parte 5

domingo, 29 de junho de 2014

Brasileira! - Parte 5

Eis que chego ao quinto capítulo de minha saga depois de me aventurar mais uma vez fora do Brasil. Neste mês de junho, visitei o Uruguai, a terra da parrilla, alfajor e mate, além do fanatismo pelo futebol.

Primeiro, quero deixar registrado que não se deve "menosprezar" nossos vizinhos e hermanos da América Latina - sim, e isto inclui a Argentina. Além de ser pertinho do Brasil, a moeda é mais barata e estável que o dólar ou o euro. É possível fazer uma viagem curta, agradável e que - com certeza - deixa muitas boas lembranças.

Por ter cara de asiática, novamente estive "camuflada", apenas observando o ambiente - e as dezenas de brasileiros espalhados pela capital uruguaia. A pouca interação que tive com conterrâneos foi até engraçada e inesperada, porque me disseram "bye".

O que observei foi algo que já é incontestável: o brasileiro não sabe falar inglês ou espanhol ou outra língua estrangeira e pode ter dificuldades para se comunicar. Nem sei se o mais bizarro é as pessoas falarem mesmo em português ou arriscarem hablar o famoso portunhol que me faz doer os ouvidos. Confesso que em momentos como estes sinto vergonha alheia e tento evitar que me identifiquem como tupiniquim - ou quase isso.

Por outro lado, é bem legal interagir com nativos e praticar o espanhol (enferrujado) in loco. Como sou curiosa e já tento me planejar o mínimo antecipadamente, chego aos lugares já com muitas dúvidas e, claro, nunca deixo de esclarecê-las e ainda pedir recomendações. Mas o mais legal mesmo é receber elogios! Um senhor - que concluí ser o dono de um restaurante onde almocei - viu uma garota sozinha pedir um super prato de churrasco e decidiu conversar. Foi mais ou menos assim:

- Por que você não pediu meio prato?
- Não sabia que poderia pedir.
- Sim, claro que sim!
- Ah, não sabia...
- De onde você é?
- Sou do Brasil.
- Ah, é?! Você fala muito bem o castelhano!
- Obrigada! É que estudei dois anos de espanhol no Brasil e...

Ele saiu andando e ganhei o dia! :D

Outra conversa interessante foi com uma vendedora de uma loja de roupa. Perguntou de onde era e o que achei da cidade. Comentou que admira quem viaja sozinho e etc. Quando ela descobriu que sou brasileira, disse que conhece Florianópolis e que quer ir para o Rio de Janeiro - tinha ouvido falar de São Paulo.

E sempre tem aquele que quer adivinhar minhas raízes. Em outro restaurante, um jovem senhor preparava os famigerados panchos (hot dogs) e logo "chutou" que minha família é do Japão. Como entendi que ele queria saber de onde sou, respondi que não. E começou o festival de países aisáticos até que nos entendemos e confirmei que minnha origem é nipônica. Ele logo comentou que um vizinho dele é japonês e mora há 20 anos no Uruguai. Por isso, com certo orgulho, justificou como conseguiu me identificar.

É curioso como cada viagem prepara surpresas como estas e, no fim, acabo me divertindo com elas. A crise de identidade fica em segundo plano e toda vez volto com uma nova história - além de tantas outras sobre outros tópicos - para contar!

Veja a saga completa aqui!

sábado, 2 de março de 2013

Hajimemashite

"Hajimemashite", em japonês, significa "muito prazer". Aproveito o início das aulas da língua japonesa para dividir aqui o que já aprendi. Fiquei tão animada que realmente achei que valeria um post. Estou mesmo emocionada! E continuarei seguindo os passos de Guimarães Rosa!
 
Vou me apresentar em japonês!
 
Hajimemashite.
Tatiana desu.
Watashi wa burajirujin desu.
Dozo yoroshiku
onegai shimasu.
 
Em português seria mais ou menos assim:
 
Prazer em conhecê-lo.
Sou a Tatiana.
Sou brasileira.
É um prazer conhecê-lo.
 
Estou me divertindo demais nas aulas, chego a ficar rindo sozinha!
E quem diria que iria gostar tanto de estudar a língua materna dos meus bisavós!


 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Eu e a cultura pop japonesa

No fim do ano passado, me propus a fazer uma imersão na cultura japonesa, inclusive pesquisar sobre minhas origens. A jornada tem sido fantástica e - a cada nova descoberta - me surpreendo cada vez mais. As novidades se encaixam com os conhecimentos que já tinha e tudo faz mais sentido.

Antes disso, cheguei a ler mangás (quadrinhos japoneses), assistir a alguns doramas ("dramas", isto é, novelas japonesas) - que me mostraram um pouco do comportamento japonês -, animações lançadas no cinema (Toonari no Totoro, super fofo; e Ponyo, que estimula a imaginação de adultos também) e animes (leia-se "animês"), como "Full Metal Panic! Fumoffu" (muuuuiiito engraçado) e "City Hunter", meu atual vício.

A ideia toda de "City Hunter" é muito interessante. Apesar da característica marcante do protagonista, Ryo Saeba, um detetive particular de Tokyo que sempre busca ser contratado por mulheres, as trapalhadas rendem séries de risadas. Mas este anime não é feito só de comédia, tem momentos de drama (em que Ryo mostra que tem um bom coração) e ação, quando as habilidades do sweeper sempre se mostram superiores às dos inimigos.

A melhor parte, para mim, é que a cultura tradicional (alimentação e literatura, por exemplo) é inserida no contexto de forma natural, o que me parece incrível e me fascina.

Em um dos episódios, com que me emocionei pela linda história de um casal que teve se separar, foi citado um poema escrito pelo ex-imperador Sutoku (1119-1164), que faz parte da antologia poética Hyakunin Isshu e da coletânea de poesia tradicional Shika Wakashu (229).

瀬をはやみ岩にせかるる滝川の
われても末に 逢わむとぞ思ふ

"Se o hayami
Iwa ni sekaruru
Takigawa no
Waretemo sue ni
Awan to zo omou"

"The rushing rapids are divided by a rock
But further down the waterfall
I know the river will unite again"

Confesso que quando era adolescente, não tinha muito interesse na cultura japonesa. Na faculdade, como trabalhei diretamente com o assunto - aos poucos - passei a ter mais contato e aprender mais. Tenho quebrado barreiras e minha opinião é bastante diferente hoje. Até renderia um livro com o título: "Eu e a cultura pop japonesa - um grande aprendizado".


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

É com A, não com E! - Parte 2

Eis que o tema volta à tona. Desta vez, venho contar algumas experiências por quais passei por conta do meu nome.

Desde a época de escola, já ouvia piadas com o meu nome, rimas como "Tatiana cara de banana!" (ainda que lembravam que é com A!). Uns anos atrás, era quase regra as pessoas que acabava de conhecer me chamarem de "Tati Quebra-Barraco" por causa da própria. Chegou uma certa hora que já previa a piada pronta - e sem graça.

Procurei o significado do meu nome. Um tempo atrás, só se via livros de significados de nomes, que incluíam os mais recorrentes. O meu mesmo ou ficava fora da lista ou apresentava uma breve descrição que equivalia a quase nada. Até onde sei, "Tatiana" tem origem russa, sendo variação de "Tânia", e significa "cigana".

As experiências mais engraçadas por quais passei foram com americanos. Quando estive nos Estados Unidos, e fiz uma compra, o atendente perguntou meu nome e ficou surpreso. Ele disse que entendeu uma determinada palavra, mas que - com certeza - não era meu nome. Aí, ele perguntou, então: "Nachos?". EU é que não acreditei! Ele ouviu um nome de comida mexicana! Depois, repeti meu nome e tive de soletrar, além de explicar a origem do nome. Passei um bom tempo ouvindo "nachos" dos meus amigos se referindo a mim!

Conheci uma americana durante uma viagem e ela, definitivamente, não sabia meu nome. E, quando ela tentou chutar (e imagino que ela tivesse bebido um pouco, já que voltava de uma balada), saiu uma palavra estranha, que não significava nada e nem se parecia com um nome. Deixei pra lá, porque no dia seguinte ela não se lembraria...

Tanto americanos quanto peruanos - que conheci nos Estados Unidos - não conseguem pronunciar o "t" com som de "tch". Por isso, me chamavam de "TaTíána" ou "TaTí", apelido com toque espanhol que também foi muito usado por amigos meus.

Por um lado, por causa de fatores culturais, não posso exigir que estrangeiros pronunciem certo meu nome, porém, - de qualquer forma - talvez em alguns momentos falte um pouco de esforço e memória. Eu falo por mim e digo que acho bastante interessante aprender nomes diferentes e dizê-los da forma certa, mesmo com barreiras de linguagem.


domingo, 5 de agosto de 2012

Ein deutsches Gedicht

Faço aqui uma homenagem às aulas de Alemão, que retomei neste ano, com alguns versos. O pequeno poema brinca com a redundância que existe na língua alemã. Achei curioso, já que em Português evitamos isso ao máximo.

"Viel Spaß"! ("Aprecie!")

Was machst du gern?
Ein Essen essen
Ein Spiel spielen
Eine Getränk trinken
Einen Traum träumen
Mit dem Telefon telefonieren

O que você gosta de fazer?
Comer uma comida
Jogar um jogo
Beber uma bebida
Sonhar um sonho
Telefonar com o telefone

domingo, 27 de maio de 2012

E viveram felizes para sempre...

É assim que terminam contos de fada, a mocinha/princesa encontra seu príncipe encantado e se casa com ele, garantindo um futuro feliz. No mundo real, não é exatamente isso que acontece, pois para se chegar até aí existe um longo e tortuoso caminho. E não falo apenas sobre casamento, mas sobre a vida "de gente grande" também.

Parei para pensar sobre a vida adulta que tenho pela frente por causa do mês de maio, o Mês das Noivas. Tudo começou com o assunto "casar". Por conta da data, somos bombardeados com notícias e informações diversas relacionadas ao tema - que são publicados já no final de abril.

Dividir a vida - a casa, as contas e o estresse - com outra pessoa faz parte dos meus planos. Até há pouco tempo, meu sonho era consolidar a união na igreja, de véu, grinalda e todo o resto. Mas como as ideias têm mudado muito, pode ser que não chegue a ser levada ao altar, talvez apenas escolha morar junto, por exemplo. Não sei, parece que cada vez mais fica mais complicado fazer planos para médio e longo prazo.

Outro ponto importante, principalmente para o currículo, é cursar pós-graduação. Muitos recém-formados já emendam a pós e deixam veteranos para trás. A questão é que - por se tratar de um grande investimento - deve ser bem avaliado e escolhido.

Crescer também significa se tornar mais independente e adquirir bens materiais, como um carro e/ou um apartamento. O carro, imagino, me dará (certa) liberdade e conforto para algumas situações, como sair à noite e de fim de semana. Já um imóvel, se não for para realizar "o sonho da casa própria", é um ótimo negócio de qualquer forma.

Falando nisso, a ideia de morar sozinha, "sair de casa", também me veio à cabeça. Talvez mais por questões de convivência. Porém, esta é uma experiência interessante, pois você aprende "a se virar".

Além de estabelecer as prioridades, não se pode esquecer dos sonhos. De viajar pelo mundo, publicar um livro, estudar todos os idiomas que desejo conhecer... E a primeira coisa a se fazer é controlar a ansiedade, respirar fundo, pensar, repensar, consultar outras pessoas, planejar e ir em frente.


domingo, 22 de abril de 2012

Brasileira! - Parte 2

Passei por uma experiência, digamos, diferente na primeira viagem que fiz para Europa, no início do mês. Meus traços orientais me "camuflaram" por lá, pois muitos não desconfiavam que fosse brasileira - e de olhos puxados!

Como não quis ir completamente sozinha, decidi fazer um tour em grupo e conheci pessoas de diversos países, inclusive malaias (meninas da Malásia, isto é, asiáticas).

Conversando com o único sul coreano do grupo e um australiano, descobri que eles achavam que eu era chinesa. Quando disse que sou brasileira, eles ficaram surpresos e curiosos para saber como era o Rio de Janeiro (que não conheço) e São Paulo.

Até uma das malaias confessou que achava que eu era chinesa. Depois, falou que - pensando melhor - eu parecia mais japonesa... (risos) Aí, outra observou que elas estão acostumadas a ver chineses e, por isso, conseguem diferenciar.

O que me surpreendeu foi encontrar duas chinesas numa cidade minúscula da República Tcheca, Kutná Hora, e ter mais uma história para contar. Elas mexiam numa câmera semi-profissional e me viram passando com a minha câmera pendurada no pescoço. Sinceramente, acho que elas devem ter pensado que minha cara de oriental dizia que eu sabia usar este tipo de câmera e provavelmente tirar fotos boas. Uma delas perguntou, em Inglês, se eu poderia fotografá-las e respondi que tudo bem. A outra falou umas frases ininteligíveis com a primeira que me perguntou se eu falava chinês (!). Pensei: "não acredito, até as chinesas me identificaram como uma compatriota!" Falei que não... Nos comunicamos em Inglês mesmo e consegui fotografar a cena que elas imaginaram.


Percebi que Praga, capital da República Tcheca, é um destino comum entre chineses. Vi diversos grupos andando pela cidade. E fui confundida como sendo chinesa mais uma vez. Uma noite, decidi experimentar um chocolate quente famoso e caminhei de volta ao hotel. No caminho, entrei em uma das poucas lojas de souvenir que estavam abertas naquele horário. Loja grande. Logo que cheguei, um senhor careca, porém aparentemente simpático, fez uma reverência e falou "oi, tudo bem?" em nada menos que em japonês, chinês e coreano. Na sequência, disse algo em alemão e retruquei - na mesma língua - que falo um pouco só. E, enfim, soltou uma frase em espanhol e respondi que não sou da Espanha, também na mesma língua. Ele desistiu de conversar comigo.

Surgiu outro homem que já perguntou de onde eu era, em inglês. Ao responder "Brasil", ele ficou surpreso e até falou uma palavra ou outra em português. E, seguindo a "regra", também pensou que eu fosse chinesa. Como já estava cada vez mais inconformada, tive de matar minha curiosidade e descobrir por que sempre me associam com a China. O diálogo foi algo assim:

Eu - Você é vendedor aqui, não é?
Vendedor - Sim.
Eu - Vocês devem estar acostumados a receber muitos turistas, inclusive chineses. A cidade sempre recebe muitos turistas.
Vendedor - É.
Eu - Então acho que vocês, por receberem sempre muitos turistas, poderiam diferenciar os chineses das pessoas de outros lugares pela roupa e o comportamento.
Vendedor - (acho que ele disse que não sabe diferenciar e reafirmou que ele imaginou que eu fosse chinesa)

Pois é, falta prestar um pouco de atenção. Só.

Durante a viagem, teve ainda um episódio "decepcionante". Aconteceu no elevador da torre do Relógio Astronômico, em Praga também. Desci, mas queria subir de novo. Estavam comigo um casal hispânico, uma pessoa na qual não reparei e um casal de brasileiros. A pessoa saiu e tanto eu quanto o homem hispânico demos passagem. Minha ideia era deixar todos saírem e continuar no elevador para subir novamente. Aí, a brasileira disse: "Go ahead! Go ahead!", mas não saí. Não sei se ela pensou que não tinha entendido, talvez por ter achado que eu era chinesa, e segurou meu braço, me puxando para fora! Fiquei revoltada, porém, não tive reação, não falei nada, só pensei em não gastar energia com uma discussão boba. Muita falta de respeito! Quando me lembro disso, fico com muita raiva!

Cheguei à conclusão de que essa viagem foi uma aventura. Fiquei surpresa em descobrir que a maioria das pessoas - de variadas nacionalidades - imaginavam que eu fosse chinesa. Ainda não sei se é por ter traços asiáticos, pelo comportamento, pela timidez, porque os chineses estão em todos os lugares... Assim, fica a dúvida: por que acham que sou chinesa?


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Brasileira!


sábado, 30 de abril de 2011

A resposta-pergunta

A comunicação constitui basicamente em mensagem, emissor e receptor. Sem grandes mistérios. Para o ser humano, ela é feita através da ferramenta chamada "língua". E pode ser uma maravilha - quando funciona.

O que me intriga demais é a "resposta fácil", que termina com interrogação. Ou, como eu apelidaria, a "resposta-pergunta". Estive pensando sobre e descobri que existem alguns usos. Veja só os principais.

Motivo 1
A pessoa que ouve a pergunta está desatenta e não presta atenção. Aí, ela diz: "Oi?", "Que foi?", "O que?", entre outras variações.

Motivo 2
A pergunta-resposta denuncia a intenção de desviar o assunto ou mesmo fugir da pergunta. (Desculpem, mas não me lembrei de nenhum exemplo.)

Por isso que criei a teoria de que o fim do mundo já começou. O homem é o único animal que pode se comunicar de forma mais complexa através da língua. Portanto, se ele não a conhece ou não deseja utilizá-la, está levando as relações humanas à morte. Não se percebe sua verdadeira importância, sendo ignorada e inferiorizada.

sábado, 9 de outubro de 2010

Um dia de... recepcionista de eventos

Vou começar a partir desta postagem uma série que se chama "Um dia de..." para contar minhas experiências de trabalho fora da minha área, Jornalismo. Na realidade, não deixa de ser jornalístico, sentir na pele como é.

Fazia um tempo que tinha curiosidade de saber como era ser uma recepcionista de eventos. Trabalhar um determinado período em lugares diferentes, tendo que lidar com o público.

O trabalho em si é simples. Passar informações e tirar dúvidas sobre o evento. Mas sempre tem um que vai te testar e pergunta uma coisa que você não sabe responder. Aí, você se vê obrigada a perguntar para outra pessoa ou encaminhar para outro lugar. Um grande  porém é ter de ficar de pé o dia inteiro, cerca de 10h por dia.

Sim, há homens também, apesar de a maioria ser de mulheres. Aliás, são muitas mulheres! Existem algumas que se formaram ou são da área, outras fazem faculdade que não tem relação com eventos e aquelas que têm diploma de outros cursos.

Acontece de aparecerem mal humorados, mal educados ou afobados. Outras têm certo preconceito, pensam que pelo fato de ser recepcionista, a pessoa não tem conhecimento ou não é capaz de fazer algo. Com elas, é preciso ter paciência.

Por outro lado, existem pessoas  que são simpáticas, gratas, sorriem, fazem uma brincadeira com você e algumas até conversam. As mulheres correm risco de ser abordadas por senhores mais velhos ou chamadas de "senhora", o que - para mim - é muito estranho!

Para alguém que lida com pessoas, ser cordial e paciente é importante. É preciso saber trabalhar em equipe: saber pedir, mas também saber ceder. Além disso, o visitante/cliente que é recebido com simpatia vai embora mais feliz, com certeza. A sensação de ver o outro satisfeito e se sentir útil é o que vale a pena. Penso da seguinte forma: se estou lá para trabalhar, que o trabalho seja bem feito!

Minha conclusão é que qualquer experiência é válida. Sempre é possível aprender algo com ela. E se você quer realizar seus sonhos e desejos, tem de lutar para concretizá-los, pois o esforço valerá a pena no final.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Senhora, senhorita, você

Começo com uma pergunta, como você - mulher, no caso- é tratada: por senhora, senhorita ou você?

Por incrível que pareça, fui chamada das três formas diferentes em situações até que semelhantes.

Ouço com frequencia "senhora" por telefone e, algumas vezes, até mesmo pessoalmente. Mesmo que muitas pessoas tenham comentado que tenho cara de "novinha", idade de universitária. E, claro, ficam impressionadas quando digo minha idade.

O que me vem à cabeça é o fato de que essas pessoas são treinadas para falar assim e parece que você está conversando com uma espécie de máquina. Isto significa que nem mesmo elas se dão conta de que soam artificiais.

Para mim, isso não é uma conversa, não tem interação, argumentação, comunicação.

Já ouvi também "senhorita" de uma ou outra pessoa, palavra que caiu em desuso, mas que seria adequada por seu significado para uma "moça". Em geral, usa-se num tom de brincadeira por amigos que há tempos não têm notícias suas, por exemplo.

O popular "você" deve ser usado em ocasiões informais. Quando um vendedor trata uma pessoa mais velha de "você" soa muito estranho, porque - para mim - o normal seria "senhor" ou "senhora". Porém constitui um paradoxo: ao mesmo tempo em que o cliente quer ser tratado com respeito e, às vezes, com certo distanciamento, quer também se sentir mais próximo de quem fala com ele e menos "velho" ou algo como "ultrapassado".

E qual a minha conclusão? Bom, parece que não existem aqueles parâmetros de "certo ou errado", "bom ou ruim". O mais sensato é (ou deveria ser) se adequar de acordo com a situação, levando-se em conta o que a outra pessoa pensa.


P.S.: sei que devo poesias! Em breve, post sobre um autor específico!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Desmistificando a língua portuguesa

Como todo bom jornalista preza, os profissionais e as pessoas comuns devem escrever e falar corretamente. Para mim, ver um erro em e-mails ou textos variados me causa agonia e fazer com que se escreva do modo correto tornaria o país melhor.

Com a popularização da internet, mais pessoas estão escrevendo mais... e errado. Assim, as formas incorretas do que poderia ser chamado de "português brasileiro" chegam às telas de milhares (ou milhões) de computadores e, fatalmente, a cabeças nada ou pouco pensantes.

Por esses motivos, com certa didática, pretendo com este post tirar algumas dúvidas que pairam no ar ou mostrar que o que se fala com muita frequência não está, na realidade, de acordo com as normas da língua portuguesa. Desmistificando...


Erros comuns

*meia
Estou meia cansada.
No contexto, a intenção é dizer que se está um pouco cansada e, portanto, o correto é utilizar meio. O mesmo vale no plural!
Fale certo: Estou meio cansada. / Estamos meio cansadas.

*a gente e agente
Agente combina de se encontrar.
"Agente" é aquele que age; "a gente" é o modo informal de dizer "nós".
Fale certo: A gente combina de se encontrar.

*fazer
Fazem dois anos que trabalho na mesma empresa.
Aqui, a pessoa que fala quer dizer que se completaram dois anos de trabalho. O sujeito do verbo "fazer" é inexistente e não possui conjugação.
O correto, então, é sempre no singular: faz.
Fale certo: Faz dois anos que trabalho na mesma empresa.

*há e atrás
5 anos atrás mudei de casa.
Neste caso, utilizar "há" e "atrás" juntos é redundante. Use apenas um ou outro.
Fale certo: 5 anos mudei de casa. / Cinco anos atrás mudei de casa.

*haver no passado e plural
Houveram muitas reclamações.
Não existe plural para "haver", o correto é "houve".
Fale certo: Houve muitas reclamações.

*pequeno detalhe
Este é só um pequeno detalhe.
Não existe tamanho para detalhe. Na verdade, detalhe já significa algo que praticamente não se nota. Não diga nem escreva "pequeno detalhe".
Fale certo: Este é só um detalhe.

*Unidades de medida
- hora: o formato correto para hora é apenas a letra H minúscula, sem zeros após a letra, nem dois pontos.
Escreva certo: 3h, 15h, 22h30, ...

- metro e quilômetro: para as medidas de distância, usa-se somente m e km (tudo minúsculo!).
Escreva certo: 5m, 100m, ... / 5km, 100km, ...

- grama: a palavra é masculina. Existe no feminino, mas faz referência à planta que fica no chão do parque ou jardim.
Escreva certo: Duzentos/Quinhentos/Setecentos gramas...

*onde e em que
Esta é uma tradicional festa, onde há música ao vivo.
"Onde" se usa apenas para lugares. Nos demais, o correto é dizer "em que".
Está é uma tradicional festa, em que há música ao vivo.

Observação: aproveitando que citei "onde", vale lembrar que muitos confundem com "aonde".
Vocês vão comer aonde?
Como indica lugar, o correto é:
Vocês vão comer onde?

Mas se a intenção é utilizar com o verbo "ir", deve-se usar "aonde" (preposição "a" + onde).
Aonde você foi?

*mas e mais
Está chovendo, mais vou sair.
Quando se quer fazer contraste de ideias, deve-se usar mas. Mais sempre será utilizado quando com a ideia de adição ou comparação.
Exemplos:
Maria tem mais parentes que João./Quanto mais chuva, mais enchente.
Toma isso e mais isso./Você tem mais morangos?

Observação: o sinal "+" se lê e escreve "mais".
Atenção também para a maneira correta de se escrever demais, palavra sinônima de "muito", "excessivamente". É uma palavra só!
Exemplo:
Escrevi demais.

*c e ç
É muito comum as pessoas usarem cedilha junto com a letra e, o que é errado. NÃO se usa ç com e ou i. Use apenas com c!
Exemplos:
Dance; você; preguicinha; ...

*Ver e ser
NÃO se diz nem se escreve veje ou seje. O correto é veja e seja.
Exemplos:
Veja o sol entrando pela janela!
Seja muito feliz.

*Verbos com preposição
Na hora em que falamos, omitimos a preposição de diversos verbos. Porém, quando escrevemos, temos de prestar atenção e nos lembrarmos de incluí-los!
Chegar/ir/assistir/referir-se a
Gostar/ter certeza de

*Como escrever corretamente algumas palavras e expressões
De repente - "derrepente" está errado
De novo - "denovo" está errado
Com certeza - escreve-se separado
Exceção - não se escreve com c ou ss
Talvez - não se escreve com s
Mexer - não escreva com ch
Circuito - não escreva com qu (diz-se "cui" e não "qüi")
Gratuito - o i não leva acento (lê-se "gra-tui-to")
Ter de - "ter que" é errado
De ela/ele - "apesar dela", "o fato dela" e afins são incorretos
Risco de morte/risco à vida - "risco de vida" é errado
Olimpíada/Jogos Olímpicos - usa-se de forma incorreta a palavra "Olimpíadas" para referir-se a uma edição realizada, porém, "Olimpíada" já constitui plural de competições esportivas e, portanto, é o certo

*Porquês
Por que - utiliza-se no início de perguntas.
Por que você não vai a pé?

Porque - para justificativas.
Não vou a pé, porque está chovendo.

por que - para dizer algum motivo.
Não sei por que você não usa guarda-chuva.

Porquê - é substantivo. Dica: geralmente se utiliza com artigo (o ou os).
Não sei o porquê de sua implicância.

Por quê - utiliza-se no fim da frase.
Sou implicante por quê?

*Crase
Basicamente, a crase será usada em três casos.

- Com palavras femininas
A crase, neste caso, é a fusão da preposição "a" (sinônimo de "para") com o artigo definido feminino "a".

Foi um grande gesto que fez à avó.

Observação: nunca se usa crase com palavras masculinas! Atenção!

- Com a seguinte regrinha:
Se vim "da", crase há.
Se vim "de", crase pra quê?

Vim da Bahia. > Fui à Bahia.
Vim de São Paulo. > Fui a São Paulo.

- Em expressões de "à moda de"
Este caso tem algumas variantes.

Nossa especialidade é o espagueti à moda da casa.
Almoçamos bife à parmegiana.
Saiu da festa à francesa.



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As novas regras da ilógica


domingo, 9 de agosto de 2009

Haikai

Faço a estreia do mês de agosto com dois haikai que escrevi. Ambos, junto com mais outros, inscrevi num concurso internacional, mas - infelizmente - nem Menção Honrosa vou receber. Mas tenho um tempo para aperfeiçoar e fazer novas criações.
E o que é um haikai? O haicai (em português) ou haiku (em japonês) é um poema tradicional do Japão, composto por três versos com cinco, sete e cinco sílabas cada, respectivamente.
Confira os poemas (em inglês).


Beautiful flowers
A little strong shines the sun
everywhere I go
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Water falls from sky
Cold wet wind, warm ray of light
Seven colors painted







domingo, 19 de abril de 2009

Brasileira!

A primeira certeza que se tem ao me ver é o fato de eu ter olhos puxados. Isso é bem verdade. Mas alguns deduzem errado.

Mais de uma vez, ouvi a pergunta: "você é chinesa?". E minha resposta foi algo do tipo: "nããão, sou brasileira! Meus bisavós vieram do Japão para o Brasil quando eram pequenos". Será que pareço chinesa?

Certo dia, no ônibus - onde acontecem fatos inusitados - uma senhora senta-se ao meu lado com cara de interrogação. Minutos depois, vira-se para mim e pergunta algo muito ininteligível para quem tem o português como língua nativa, o inglês como segunda língua e conhecimentos de alemão, francês e espanhol (o que não é pouco!).

Eu é que fiquei com cara de interrogação. Daí, a senhora percebeu que eu não havia entendido e perguntou num português objetivo e com sotaque: "coreana?". E eu, absolutamente determinada: "não". Será que pareço coreana?

O mais desagradável, no fim, é ser obrigada a ouvir certas palavras quando ando pela rua. "Konnichiwa", "sayonara", "arigatou", "sushi, sashimi" ou pior, neologismos bizarros que nem sequer são palavras em japonês. Será que pareço japonesa?

Até passei por japonesa, até revelar que sou brasileira, mas tenho raízes nipônicas. Uns apenas disseram "ah", enquanto outros resistiram e insistiram em não acreditar, provavelmente por considerarem impossível uma oriental ser latino-americana.

No Brasil, temos o privilégio de poder conhecer tantas culturas e pessoas diferentes. Os orientais - japoneses, chineses e coreanos - têm semelhanças, mas o que os torna igualmente interessantes são exatamente as suas diferenças. Palavras de uma brasileira.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

As novas regras da ilógica

Não pude deixar de me pronunciar sobre um assunto atualmente polêmico. Algumas discussões já foram feitas e outras parecem que estão por vir. Estou um pouco "atrasada", mas aqui está minha opinião.

No fim do ano passado, ouvi falar de uma tal "reforma ortográfica", ou Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, assinada por todos os oito países lusófonos (que falam português) - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste. Eles fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CLPL (bandeiras dos países integrantes na foto), que promove alianças entre os signatários.

Depois de tomar conhecimento das mudanças, segundo dizem, em 0,5% das palavras, revoltei-me com todas as minhas forças. E digo por que.

A partir de 2009, esta verdadeira "lei portuguesa" entra em vigor e terá até 2012 para ver os livros didáticos adaptados. Pois é. Adeus trema! Adeus acentos e hífens! E que venham os "rr", "ss", "ii" e afins no meio das palavras! Adeus! Adeus? Quer dizer, adeus para alguns... mas alguns quais, exatamente? Como? E por que? (só uma observação antes de continuar: difícil controlar perguntas típicas de jornalista...)

Apesar de o período para adaptação ser de 4 anos, já no início a implantação está rendendo uma aventura - para não dizer outra coisa. Professores, crianças, estudantes, jornalistas e aqueles acostumados às regras "antigas" têm tido dificuldades em relação ao que não é mais o que seria.

Até o famoso editor de texto, que mal tem as palavras comuns registradas em seu dicionário, foi castigado. A função automática de correção é totalmente contra a reforma ortográfica. Se você tirar o trema ou o acento agudo, ele - com certa insistência - insere de novo ou, então, sublinha a palavra com aquela "cobrinha" vermelha, o que talvez seja ainda mais irritante.

De uma coisa tenho certeza. Para mim, ainda há esperança de que esse acordo, aparentemente ilógico, não se consolide e, como consequência (sem trema!), passe a infernizar a vida de muitos brasileiros. Aliás, considero, sim, uma grande sacanagem a imprensa ser quase que a primeira da lista obrigada a aderir às mudanças.

Apenas espero que esta "integração" - pseudo integração - não tenha sido puramente por razões comerciais. E quem disse que a integração é concretizada a partir de uma ortografia unificada, considerando-se que esta é uma parte da língua, que por sua vez é uma parte da cultura de um país? Enfim, integração essa justificada com explicações que somente o grupo seleto de linguistas (sem trema de novo!) entenderão.


>>> Link interessante com informações sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (Wikipedia)