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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A equação da vida

Vi O Pequeno Príncipe e amei! A história do livro homônimo, do escritor Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), é linda. E o filme, dirigido por Mark Osborne, conseguiu encaixar bem a mensagem da obra e incluir itens da atualidade, como a vida dos empregados que precisam ser essenciais para as companhias onde trabalham.


A amizade entre a menina e o aviador é pura, natural, divertida. É assim que a garota aprende coisas sobre a vida, o que não aprenderia estudando (muita Matemática) em casa sozinha. O foco nos livros e na futura formação em uma boa faculdade era o que a mãe tinha planejado para a filha se tornar uma ótima adulta.

Claro que minha música favorita do filme, uma parceria do compositor Hans Zimmer e a cantora Camille, é exatamente uma que mostra o quanto o aviador é importante para a menina.

Veja a letra (em Francês) e o vídeo abaixo! :)

Equation

1 + 1 font 2
2 + 1 fait 3
Tu me tire ainsi, les larmes ou la pluie,
Fait chavirer les nuages!
Et si le soleil
Descendra du ciel
Lundi
Dans une heure,
Une vie,
Une semaine,
Une semaine et demi,
Une année,
Un million d'années.
Un peu loin des yeux,
Plutôt près de toi,
Je ne compte que sur mes doigts.
Si par coeur brisé,
Je n'ai que des A,
Est-ce que tu reviens pas,
Pas.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

'Calvin e Haroldo', de Bill Watterson


Crédito: Reprodução
Sou fã de desenhos, animações, quadrinhos. Um dos meu preferidos hoje é Calvin e Haroldo, de Bill Watterson (1958-). O cartunista americano criou desenhos animados para seu trabalho final de faculdade na Kanyon College e conquistou uma posição de destaque no jornal Cincinnati Post. Watterson quis desenhar tirinhas e se tornou conhecido por 'Calvin and Hobbes'.

Calvin é um menino de apenas 6 anos que vive aventuras com seu tigre de pelúcia que, em sua imaginação, é de verdade. O garotinho tem sacadas geniais e, por isso, a HQ é inteligente e divertida!

Achei bem interessantes duas tirinhas do livro O Mundo é Mágico, de 2010. Trago aqui os diálogos apenas (decidi não reproduzir partes do livro para não ter problemas autorais).


Calvin - "Conseguir é melhor do que ter. Quando você consegue alguma coisa, é novo e emocionante. Quando você tem alguma coisa, não dá valor e é sem graça."

Haroldo - "Mas tudo que a gente consegue um dia se torna o que a gente tem."

C - "É por isso que a gente sempre precisa de coisas novas! 'Desperdice e cobice', esse é o meu lema."

H - "Sinto como se estivesse no sonho de algum acionista."


Pai de Calvin (ao telefone) - "Alô?"

Calvin (do outro lado da linha) - "Está muuuuiiiito bom aqui fora! Suba em uma árvore! Seja irresponsável!"

*Clic* (Calvin desliga)

Calvin (para Haroldo) - Meu pai enche a minha paciência com os valores dele, por isso encho a dele com os meus."


Fonte: biography.com e Wikipedia.


terça-feira, 18 de março de 2014

Vivir...

Escribir es vivir.
Vivir sin palabras es morir.
Quiero partir.
Para lejos huir.

Vivir es como morir.
Morir de reír.
Morir de amor.
Morir de dolor.

Cómo no los sentir?

Vivir es morir.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Homenagem poética a Manuel Bandeira

Começo este post com uma confissão, de que até me envergonho. Perdi muito do contato com as Letras, a literatura, a leitura, a escrita como lazer. Quando me lembro disso, fico um tanto abatida e um tanto decepcionada comigo mesma.

Infelizmente, acabei trocando o virar a página de papel por ficar conectada. Mas a tecnologia pode ajudar a estimular a leitura de outras formas, em celulares e tablets. Vamos ver se me adapto a este novo ler.

Após o desabafo, trago uns versos em homenagem a Manuel Bandeira (1886-1968), que um dia imaginou Pasárgada, antes uma cidade da antiga Pérsia e hoje uma cidade situada no Irã, como um lugar ideal.

E esta é minha homenagem poética bandeiriana!

Se pudesse, eu viajaria
A Pasárgada iria
E, de lá, não mais voltaria...


Quem sabe eu não escreva uma série em homenagem aos grandes poetas brasileiros?

domingo, 25 de agosto de 2013

Um suspiro poético

Nestes últimos dias, em que muitos pensamentos passaram por minha cabeça, resgato um poema que escrevi em 2008.

Posso dizer que é uma homenagem ao ilustríssimo Manuel Bandeira, uma poesia inspirada nos versos de "O Último Poema" (inspire-se aqui).

Boa leitura!

Último suspiro

meu último suspiro
é um suspiro 
por um verso
de amor
de emoção
de alegria

meu último suspiro
é um suspiro
por uma vida
de amizades
de paixões
de lembranças

meu último suspiro
é um suspiro
apenas um suspiro
por ar que me dá vida
para a viagem ao além

meu último suspiro
é um suspiro
de alívio
simples suspiro
suspiro poético
um suspiro
o suspiro
suspiro

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Homenagem a uma xará


Com um pouco de atraso, deixo uma homenagem muito especial e que me remete a minhas lembranças de infância à escritora Tatiana Belinky, que faleceu no dia 15 de junho.

A foto acima ilustra o livro que tenho. É diferente, porque ganhei uma homenagem.

Na época de escola, todos os anos, havia a Feira dos Livros, em que editoras vendiam seus próprios livros aos alunos. Certa vez, fui com minha mãe que me comprou o livro "Quem parte e reparte..." e encontramos ninguém menos que Tatiana Belinky. Minha mãe me incentivou a pedir um autógrafo à autora, porém, eu estava encabulada demais para isso.

Não lembro bem como aconteceu, mas agora tenho registradas palavras valiosas, da minha xará, e que guardei com carinho.

Quero agradecer pela doce lembrança e dizer, então, que descanse em paz. Direto do mundo da literatura para o mundo desconhecido dos sonhos eternos.


sábado, 26 de janeiro de 2013

Eu e a cultura pop japonesa

No fim do ano passado, me propus a fazer uma imersão na cultura japonesa, inclusive pesquisar sobre minhas origens. A jornada tem sido fantástica e - a cada nova descoberta - me surpreendo cada vez mais. As novidades se encaixam com os conhecimentos que já tinha e tudo faz mais sentido.

Antes disso, cheguei a ler mangás (quadrinhos japoneses), assistir a alguns doramas ("dramas", isto é, novelas japonesas) - que me mostraram um pouco do comportamento japonês -, animações lançadas no cinema (Toonari no Totoro, super fofo; e Ponyo, que estimula a imaginação de adultos também) e animes (leia-se "animês"), como "Full Metal Panic! Fumoffu" (muuuuiiito engraçado) e "City Hunter", meu atual vício.

A ideia toda de "City Hunter" é muito interessante. Apesar da característica marcante do protagonista, Ryo Saeba, um detetive particular de Tokyo que sempre busca ser contratado por mulheres, as trapalhadas rendem séries de risadas. Mas este anime não é feito só de comédia, tem momentos de drama (em que Ryo mostra que tem um bom coração) e ação, quando as habilidades do sweeper sempre se mostram superiores às dos inimigos.

A melhor parte, para mim, é que a cultura tradicional (alimentação e literatura, por exemplo) é inserida no contexto de forma natural, o que me parece incrível e me fascina.

Em um dos episódios, com que me emocionei pela linda história de um casal que teve se separar, foi citado um poema escrito pelo ex-imperador Sutoku (1119-1164), que faz parte da antologia poética Hyakunin Isshu e da coletânea de poesia tradicional Shika Wakashu (229).

瀬をはやみ岩にせかるる滝川の
われても末に 逢わむとぞ思ふ

"Se o hayami
Iwa ni sekaruru
Takigawa no
Waretemo sue ni
Awan to zo omou"

"The rushing rapids are divided by a rock
But further down the waterfall
I know the river will unite again"

Confesso que quando era adolescente, não tinha muito interesse na cultura japonesa. Na faculdade, como trabalhei diretamente com o assunto - aos poucos - passei a ter mais contato e aprender mais. Tenho quebrado barreiras e minha opinião é bastante diferente hoje. Até renderia um livro com o título: "Eu e a cultura pop japonesa - um grande aprendizado".


domingo, 5 de agosto de 2012

Ein deutsches Gedicht

Faço aqui uma homenagem às aulas de Alemão, que retomei neste ano, com alguns versos. O pequeno poema brinca com a redundância que existe na língua alemã. Achei curioso, já que em Português evitamos isso ao máximo.

"Viel Spaß"! ("Aprecie!")

Was machst du gern?
Ein Essen essen
Ein Spiel spielen
Eine Getränk trinken
Einen Traum träumen
Mit dem Telefon telefonieren

O que você gosta de fazer?
Comer uma comida
Jogar um jogo
Beber uma bebida
Sonhar um sonho
Telefonar com o telefone

domingo, 24 de junho de 2012

Curtas reflexões

Decidi publicar aqui as reflexões que postei no meu perfil do Twitter que tenho faz uns três anos. São versos curtos.

Espero que gostem!

Mulheres querem alguém para protegê-las. Homens querem alguém para cuidar deles.

Simples. Observar também é aprender.

O mundo girando, as pessoas passando, as coisas acontecendo e eu gerundiando...

A fúria do Leão encontra no Peixe o mar e, nas profundezas, poderá se afogar...

Maybe I wasn't, am not and won't be the person who I think I was, I am or will be...

Uiva o vento que vira vendaval...

Minhas palavras são sinceras, mas soam como um rugido, como queima o fogo e fere a lança...

O outro deve ser somente amado e não compreendido...

Vento de outono, prenúncio de inverno... (Até o frio me inspira!)

Just keep smiling... ;)

Não se preocupe tanto em secar suas lágrimas, mas, sim, em evitar que elas caiam.

Jornalismo é mais que escrever. É comunicar, educar, informar, discutir, criticar, denunciar, divulgar, mudar!

Ao se rascunhar, se espanta a crise de inspiração!

A vida traz muitas surpresas...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Aniversário de nascimento de Carlos Drummond de Andrade

Crédito: Reprodução
Em homenagem à data de hoje, 31 de outubro, publico aqui no meu blog um post com poemas de Carlos Drummond de Andrade (31/10/1902-17/8/1987), que nasceu há exatamente 109 anos.

Confesso que conheço pouco de sua produção literária, mas aqui vão alguns versos dos meus favoritos, do primeiro livro publicado pelo autor, Alguma Poesia, em 1930.

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?


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A simplicidade e a beleza dos poemas de Manuel Bandeira
O grande poeta Mário de Andrade
Mestre, poeta, fingidor
Saudades, Saramago


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Saudades, Saramago

"É bem certo que o difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las."

José Saramago


Na manhã do dia 18 de junho, jornais e sites de todo o Brasil noticiaram o adeus do escritor português José Saramago, que tinha 87 anos e sofria de leucemia crônica.

Saramago nasceu em 1922, em Azinhaga, Portugal. Concluiu apenas o ensino secundário e seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico, porém, trabalhou durante sua vida como desenhista, funcionário público, tradutor, editor e jornalista. Em 1998, foi o primeiro autor a vencer o Prêmio Nobel de Literatura.


Terra do Pecado
, s
eu primeiro romance, foi publicado em 1947. Entre suas obras de destaque estão O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio sobre a Cegueira (1995), O Homem Duplicado (2002) e As Intermitências da Morte (2005).


Informações: Comunique-se e Rolling Stone



"[...] talvez se tratasse de um sonho enganador, um sonho de que teria de acordar mais cedo ou mais tarde, sem saber, nesse momento, que realidade estaria à sua espera."

José Saramago (1922-2010)

Trechos extraídos do livro Ensaio sobre a Cegueira


 

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A simplicidade e a beleza dos poemas de Manuel Bandeira

Repentinamente, out of the blue, tive vontade de postar aqui uns poeminhas. Já fazia um tempo que tinha descoberto um lindo que ouvi no filme Pode crer! e outro que conheci na época do cursinho.

Manuel Bandeira (1886-1968), formado arquiteto pela Escola Politécnica de São Paulo, foi um poeta de grande expressão, que participou da Semana de Arte Moderna em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal, em São Paulo.

Foi colaborador de jornais e revistas, e fez traduções de romances. Bandeira é autor de Libertinagem (1930) e Estrela da Manhã (1936), entre outros.

Vejam dois poemas lindos de Manuel Bandeira! Versos simples, mas dotados de sensibilidade e beleza.


Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

(Estrela da Manhã)


O Último Poema

Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.



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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mestre, poeta, fingidor

Fazia muito tempo que eu não ia ao teatro. Não tenho o costume de assistir a peças, mas gosto bastante. Para mim, a relação entre os atores e o público é aberta para reações diversas e, portanto, é sincera.

Noite fria e o público à espera. Quando o auditório é aberto, as pessoas entram e se acomodam. As luzes se apagam e a ansiedade aumenta. O espetáculo já vai começar.

A peça intitulada O fingidor, dirigida por Samir Yazbek, é uma ficção bem-humorada da vida do poeta português Fernando Pessoa, que se passa por datilógrafo para trabalhar com um aclamado crítico de sua obra. Além desse novo personagem, a história também mostra os heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Confesso que de teatro não entendo nada. Então, as impressões registradas aqui partem de uma espectadora "crua".

O elenco, não à toa, foi aplaudido de pé e com sorrisos nos rostos. O destaque foi Helio Cicero, protagonista, no papel de Fernando Pessoa e de, digamos, seu novo heterônimo, interpretado de forma caricata, porém, espetacular. Este era divertido, carismático, desinteressado por poesia. O outro, "ele mesmo", era sério, louco, fingidor...

O texto traz a poética de Pessoa com naturalidade e, entre outras obras-primas, o poema a que o título da peça faz alusão, "Autopsicografia". Esses versos não poderiam faltar na peça e, muito menos, aqui.


Autopsicografia

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Fernando Pessoa (1888-1935)


*** O fingidor estreou em 1999, quando o diretor Samir Yazbek recebeu o Prêmio Shell de melhor autor. Nestes 10 anos, a peça teve ótima aceitação pela crítica, montagem em outras cidades, tradução para outras línguas e adaptação para a televisão. ***


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A essência
Uma poesia
O grande poeta Mário de Andrade

sábado, 8 de novembro de 2008

Uma poesia

Escrevi uma poesia sobre como sou, mas como nem todo mundo vê. Não culpo ninguém por ter uma visão estereotipada, porque são idéias enraizadas na própria sociedade.

Calma, não precisa se desesperar e achar que estou falando coisas sem sentido. Só lendo para entender...

Para quem me conhece há mais tempo, reconhecerá algumas características. E para quem não me conhece, leia e me conheça um pouco!

Quem ainda não desistiu de ler, comente para eu saber que existem leitores ainda!

Observação: sei que a poesia não está gramaticalmente correta, preferi deixar numa linguagem mais informal. O desenho foi minha irmã que fez...


Tatiana por Tati
Não é só porque meu nome é Tatiana
que sou quebra-barraco
Não é só porque meu apelido é Tati
que meu nome é TatianE

Não é só porque serei jornalista
que não poderei ser poeta
e que trabalharei no Jornal Nacional

Não é só porque sou baixinha
que sou invisível
Não é só porque sou oriental
que sei falar japonês,
que não sei falar outras línguas
e que não sou brasileira
Não é só porque gosto de desenhos animados
que sou criança

Não é só porque estou presente
que estou prestando atenção
Não é só porque sou tímida
que sou metida
Não é só porque fico quieta
que não gosto de conversar
Não é só porque pareço brava
que brigo à toa
Não é só porque sou amigável
que não tenho pensamentos vingativos
Não é só porque sou sonhadora
que me esqueço da realidade
Não é só porque sou exigente
que não chegarei próximo ao que desejo
Não é só porque gosto de “cultura inútil”
que sou alienada e não tenho conteúdo
Não é só porque sou “séria”
que não faço piadas
Não é só porque penso duas vezes
Que não faço besteiras

Não é só porque estou distante
que não me importo com as pessoas queridas
e que me esqueci delas
Não é só porque faz tempo
que não lembro
Não é só porque não vejo ou mostro
que não sinto
Não é só porque agradeci um favor
Que não tenho uma dívida



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sábado, 20 de setembro de 2008

O grande poeta Mário de Andrade

Quando se fala em Mário de Andrade, as pessoas geralmente lembram-se de Modernismo no Brasil e de leitura clássica obrigatória, como Macunaíma, ou obras críticas, como Lira Paulistana ou Paulicéia desvairada.

Para ser sincera, li Macunaíma só depois de ter saído o colégio - para o vestibular. Apesar de ter sido assim, mesmo antes de terminar o livro, enfim, eu tinha entendido tudo aquilo que a gente estuda, mas não entende.

Mário de Andrade foi também um grande mestre da poesia – não que eu conheça bem sua obra completa. Por causa do TCC, descobri o poema Meditação sobre o Tietê, escrito entre 30 de novembro de 1944 e 12 de fevereiro de 1945, treze dias antes de sua morte.

Escolhi dois trechos. O primeiro mostra a preocupação do poeta paulistano com o rio Tietê já poluído, mesclando com seus próprios sofrimentos. O outro, simplesmente lindo, trata dos efeitos do amor sobre o escritor.

Boa leitura!





“É noite... Rio! meu rio! meu Tietê!
É noite muito! ... As formas... Eu busco em vão as formas
Que me ancorem num porto seguro na terra dos homens.
É noite e tudo é noite. O rio tristemente
Murmura num banzeiro de água pesada e oliosa.
Água noturna, noite líquida... Augúrios mornos afogam
As altas torres do meu exausto coração.
Me sinto esvair no pagado murmulho das águas.
Meu pensamento quer pensar, flor, meu peito
Quereria sofrer, talvez (sem metáfora) uma dor irritada...
Mas tudo se desfaz num choro de agonia
Plácida. Não tem formas nessa noite, e o rio
Recolhe mais esta luz, vibra, reflete, se aclara, refulge,
E me larga desarmado nos transes da enorme cidade”

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“Pois mais uma vez eu me aniquilo sem reserva,
E me estilhaço nas fagulhas eternamente esquecidas,
E me salvo no eternamente esquecido fogo de amor...
Eu estalo de amor e sou só amor arrebatado
Ao fogo irrefletido do amor” 




Mário de Andrade (1893-1945)







domingo, 10 de agosto de 2008

Para começar

Trago um texto lindo escrito por Shakespeare que trata de muitas verdades da vida. É longo, mas vale a pena! (está no meu perfil do orkut, mas lá não cabe o texto na íntegra)

Já adianto que postarei a poesia de Mário de Andrade em homenagem ao rio Tietê. Aguardem!


Um dia você aprende que...



Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.


Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.


Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve compará-los com os outros, mas com o melhor que pode ser.


Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas aonde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve. Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou; aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem de aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar, portanto, plante seu jardim e decore sua alma em vez de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare