Mostrando postagens com marcador raízes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador raízes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de março de 2015

Brasileira! - Parte 6

Passei por mais um capítulo da saga. Desta vez, no Japão.

Nos primeiros dias lá, não me sentia no meu "habitat". A impressão que tinha era de estar num grande e aberto Bunkyo ("Bunka kyokan", "centro de cultura" em português).

No começo, era natural que a maioria dos japoneses achasse que eu fosse de lá. Por isso, falavam comigo em japonês. Ficava desesperada, porque falavam muito rápido e não entendia nada. Quando não perguntavam algo, era um alívio, porque só sinalizava com a cabeça que OK ou dizia "hai" ("sim") pra pessoa prosseguir com o diálogo (quase monólogo) ou simplesmente ignorava a "verborragia". A tensão era grande quando surgia uma pergunta e não entendia. Claro que dizia com jeitinho que não entendo muito japonês e as pessoas, algumas não tão gentilmente, tentavam falar mais devagar ou reformular a frase.

Em alguns casos, logo percebiam que eu era estrangeira, porque algumas vezes eu gaguejava, e já se comunicavam em inglês comigo. Mas isso em poucos lugares bem turísticos, porque ainda a grande maioria dos nipônicos não fala inglês, até entendem, mas não conseguem conversar.

Passado um mês ou mais, pensei que seria melhor tentar compreender o que as pessoas falam, sem se preocupar demais com a velocidade que falam. Daí, percebi que era possível entender, mesmo que fosse por palavras-chave e pelo contexto da conversa. E comecei a ficar feliz comigo mesma, porque acabava de dar um passo à frente no aprendizado.

Assim, me senti à vontade para conversar, mesmo que o básico. Pessoas do comércio me perguntavam de onde era e ficavam surpresas em saber que sou brasileira. Alguns diziam que meu país é longe. E muitos disseram que sou jyouzu ("habilidoso") no japonês. Como sei que dois anos de estudo é pouco para se virar, agradecia o elogio e dizia que preciso me esforçar para aprender mais.

Na realidade, no geral, era mais difícil tentar se comunicar em inglês, porque conseguia me expressar bem, mas os japoneses não conseguiam responder no mesmo idioma. Não adiantava muito. Me via apenas com a possibilidade de usar o conhecimento básico de japonês, o que realmente funcionava. Além disso, percebi que os japoneses se sentiam muito mais confortáveis em falar a própria língua (assim como qualquer um), inclusive em conversas com meus amigos não descendentes. Até parecia que quando a interação já era iniciada em inglês, eles se sentiam ofendidos ou algo assim.

O que continua sendo um mistério é ainda pensarem que sou - ou poderia ser - chinesa. Pra mim, pelo menos, tenho cara de brasileira ou de, no máximo, japonesa. Em Okinawa, era até comum encontrar pessoas que falavam chinês. É verdade que lá existem muitos turistas sino descendentes. Talvez por isso deduzissem que eu também poderia ser mais um deles.

Por um lado, faz sentido pensar que sou japonesa. Tenho fisionomia de uma - e me vestia como uma. Mas algo que pode ser um detalhe pra maioria é justamente o que faz toda a diferença. O jeito de agir e os gestos. Se alguém for me comparar com uma nativa, logo verá que sou diferente dela e, portanto, não sou japonesa.

Para mim, o que falta não só aos japoneses, mas para as pessoas em geral, é ter este tato, ter uma etapa para se fazer esta análise e, assim, ter mais informações para se deduzir a nacionalidade de um indivíduo, além de se ter a oportunidade de se aprender sobre as diferenças de culturas que muitas vezes ficam nas entrelinhas.



Veja a saga completa aqui!
Brasileira! - Parte 5

domingo, 26 de janeiro de 2014

Brasileira! - Parte 4

Bairro da Liberdade (crédito para a autora deste blog)
E cá estou uma vez mais com novas indagações, porém, com a mesma "crise" de indentidade.

Trabalhei na Liberdade uns anos atrás, bairro antes conhecido como japonês e hoje considerado oriental pela presença de chineses também. Até então, mal conhecia a cultura e não falava o idioma de meus ancestrais. Sempre me senti brasileira. Por outro lado, aprendi muito lá - passei a admirar os valores e ensinamentos nipônicos.

Outras regiões da cidade são predominantemente habitadas por descendentes como Saúde e Vila Mariana. Por isso, não é nada raro encontrá-los por aí e por outros cantos de São Paulo.

O curioso é o que me vem à cabeça quando vejo grupos deles ou até famílias inteiras num mesmo lugar. "Nossa, mas está cheio de japas aqui, né?" Oras, eles são paulistanos como eu e estão fazendo suas coisas - como eu!

No geral, inexplicavelmente (ou não), não tenho consciência de que tenho feições asiáticas como os demais e quase os vejo como se fossem de outra nacionalidade. Quando relembro estes momentos, percebo que minha pergunta não faz tanto sentido. Volto ao mundo real e aí me atento ao "detalhe" de minhas origens.

Ao ver de diversos pontos de vista, sou igual e diferente dos outros e - ao mesmo tempo - minhas raízes estão em um só país, mas em variadas províncias. Uma mistura só - boa e bem brasileira.

Se para mim já é confuso, agora começo a entender como deve ser para os estrangeiros!


Veja a saga completa aqui!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Brasileira! - Parte 3

A aventura da vez foi hispânica: na Espanha, vi muitos chineses e japoneses turistando. Como no ano passado fiquei surpresa ao pensarem que eu era chinesa, já presumia que agora não seria diferente. Na América Latina, Santiago e Buenos Aires, passei por algo parecido! E me surpreendi de novo. 

Na Espanha, minha ex-companheira de quarto, que é japonesa, fez uma cara de curiosidade/dúvida em relação ao meu país de origem. Nas aulas de espanhol, os professores chamavam meu nome (Tatiana, que tem origem russa), porém, percebiam que meu sobrenome é japonês. Tive, então, de explicar que sou brasileira, mas que meus bisavós vieram do outro lado do mundo.

Inclusive, uma colega de sala, russa, ficou um tanto intrigada com o fato de eu ser brasileira, ter cara e origem japonesa, e ter o primeiro nome russo. Para eles parece algo quase impossível, contudo, todavia, entretanto, no Brasil é bastante comum.

Já ouvi de algumas pessoas que não sabem diferenciar japoneses, chineses e coreanos. E realmente acho que devem fazer uma salada com os asiáticos.

E os brasileiros (cariocas) que estavam passeando lá nem perceberam que também era do Brasil... Esta é a vantagem...

Enquanto isso, a viagem latina me deu outros pontos de vista. Teve quem pensasse que eu fosse japonesa mesmo (faz sentido) ou americana (até faz sentido, mas me parece que não há tantos descendentes lá!). E aí, vieram na sequência as mesmas respostas de que meus bisavós imigraram para o Brasil, que aqui existe a maior comunidade nipo-brasileira fora do Japão e teve o projeto de imigração japonesa e italiana para cá.

Não sei se eu ou as outras pessoas que ficavam mais surpresos. Chegava a ser engraçado pensar nisso.

Fiquei meio camuflada por trás dos meus olhos amendoados para evitar brasileiros e, consequentemente, falar Português. Estava viajando para praticar Espanhol!

Algo que me incomodava era o fato de falarem em outra língua que não o Espanhol. Na Europa e no Chile, começavam a falar em Inglês. Na Argentina, saía um Espanguês... E sempre estava eu a hablar! Que coisa, deixem que eu pratique!

Sou brasileira, mas sou internacional! ;)



Outros posts

Brasileira! - Parte II
Brasileira!


sábado, 2 de março de 2013

Hajimemashite

"Hajimemashite", em japonês, significa "muito prazer". Aproveito o início das aulas da língua japonesa para dividir aqui o que já aprendi. Fiquei tão animada que realmente achei que valeria um post. Estou mesmo emocionada! E continuarei seguindo os passos de Guimarães Rosa!
 
Vou me apresentar em japonês!
 
Hajimemashite.
Tatiana desu.
Watashi wa burajirujin desu.
Dozo yoroshiku
onegai shimasu.
 
Em português seria mais ou menos assim:
 
Prazer em conhecê-lo.
Sou a Tatiana.
Sou brasileira.
É um prazer conhecê-lo.
 
Estou me divertindo demais nas aulas, chego a ficar rindo sozinha!
E quem diria que iria gostar tanto de estudar a língua materna dos meus bisavós!


 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Eu e a cultura pop japonesa

No fim do ano passado, me propus a fazer uma imersão na cultura japonesa, inclusive pesquisar sobre minhas origens. A jornada tem sido fantástica e - a cada nova descoberta - me surpreendo cada vez mais. As novidades se encaixam com os conhecimentos que já tinha e tudo faz mais sentido.

Antes disso, cheguei a ler mangás (quadrinhos japoneses), assistir a alguns doramas ("dramas", isto é, novelas japonesas) - que me mostraram um pouco do comportamento japonês -, animações lançadas no cinema (Toonari no Totoro, super fofo; e Ponyo, que estimula a imaginação de adultos também) e animes (leia-se "animês"), como "Full Metal Panic! Fumoffu" (muuuuiiito engraçado) e "City Hunter", meu atual vício.

A ideia toda de "City Hunter" é muito interessante. Apesar da característica marcante do protagonista, Ryo Saeba, um detetive particular de Tokyo que sempre busca ser contratado por mulheres, as trapalhadas rendem séries de risadas. Mas este anime não é feito só de comédia, tem momentos de drama (em que Ryo mostra que tem um bom coração) e ação, quando as habilidades do sweeper sempre se mostram superiores às dos inimigos.

A melhor parte, para mim, é que a cultura tradicional (alimentação e literatura, por exemplo) é inserida no contexto de forma natural, o que me parece incrível e me fascina.

Em um dos episódios, com que me emocionei pela linda história de um casal que teve se separar, foi citado um poema escrito pelo ex-imperador Sutoku (1119-1164), que faz parte da antologia poética Hyakunin Isshu e da coletânea de poesia tradicional Shika Wakashu (229).

瀬をはやみ岩にせかるる滝川の
われても末に 逢わむとぞ思ふ

"Se o hayami
Iwa ni sekaruru
Takigawa no
Waretemo sue ni
Awan to zo omou"

"The rushing rapids are divided by a rock
But further down the waterfall
I know the river will unite again"

Confesso que quando era adolescente, não tinha muito interesse na cultura japonesa. Na faculdade, como trabalhei diretamente com o assunto - aos poucos - passei a ter mais contato e aprender mais. Tenho quebrado barreiras e minha opinião é bastante diferente hoje. Até renderia um livro com o título: "Eu e a cultura pop japonesa - um grande aprendizado".


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Melhores '12

Venho quase nos 45 minutos do segundo tempo fazer uma lista dos melhores de 2012 que não deixa de ser um balanço do ano.

Separei em 13 categorias!

Melhor nova experiência
Massagem ayurvédica

Melhor reencontro
Festa Alemã - com o pessoal de colégio

Melhor destino de viagem
Praga

Melhor tipo de programa de TV
Dorama japonês

Melhor post do ano
"E viveram felizes para sempre..."

Maior descoberta
Sou descendente de quatro províncias japonesas e sou sansei-yonsei

Novo vício
Manicure

"Desafio" cumprido
Conheci três cabeleireiros diferentes

Meta cumprida
Publicar mais postagens no blog que em 2011

Evolução do ano (aparência)
Mais interesse e maior investimento em roupas e maquiagem

Evolução do ano (profissional)
Mais segurança e novos aprendizados

Palavra do ano
Renovação

Refeição do ano
Hamburger e batata frita

Melhor do ano
Muitas reflexões

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Hablas English? Parlez-vous Deutsch?

Sou amante dos idiomas e de estudá-los. Além de poder conhecer um pouco da cultura de cada país, considero que falar outras línguas expande meus horizontes e me torna mais independente para viajar mundo afora.

E, nesta busca quase incessante pelo aprendizado, praticamente me esqueço de que sou descendente de japoneses. Como sempre estudei com semelhantes (escola, curso de Inglês  e Espanhol, e faculdade), não parei para pensar que eu era "diferente".

Comecei a reparar nisso quando voltei a estudar Alemão. É claro que há outros descendentes que frequentam a mesma escola que eu, mas uma colega achou curioso o fato de uma "japonesa" estar lá.

Na realidade, ela não foi a primeira pessoa a pensar isso. Minha dentista, que me conhece desde quando eu tinha quatro anos, sempre me falava algo como: "você é japonesa, fala Alemão e não fala Japonês?". Pois é, me formei em uma escola alemã e não tive muito contato com minhas raízes até a faculdade.

Agora, que terminei os cursos de Inglês e Espanhol, estou no nível intermediário de Alemão, decidi que queria me aproximar mais da cultura dos meus antepassados estudando Japonês. Ainda tenho vontade de estudar Italiano e Francês.

Será que depois de aprender todos esses idiomas já me contento?

sábado, 18 de agosto de 2012

É com A, não com E!

Publico aqui meu manifesto para expressar a indignação em ler e ouvir os outros escreverem/falarem meu nome de forma errada.

Meu nome é Tatiana e, naturalmente, me apelidaram - no geral - de "Tati". Na época em que convivia no dia a dia com pessoas mais velhas e mais ligadas à cultura japonesa, surgiu a variação "Tatiana-san" (Na verdade, "san" usa-se ao final do sobrenome como forma de demonstrar respeito por aquele com quem se fala). Soava um pouco estranho só, mas sem crises...

TatianE?

Não sei por que, mas digamos que 99% das pessoas referem-se a mim como "TatianE", com o tal do E no final. Meu nome termina com A! Talvez seja uma associação automática, uma espécie de vício. (Até no Wikipedia há a observação: "Tatiana, sempre confundida com Tatiane"!)

Em alguns casos, posso dizer com certeza que é falta de cuidado ou memória, já que me comunico com muitos por escrito e - portanto - não haveria erro. Ou talvez se trate de uma visão distorcida que indica a letra E no lugar do A, apesar de eu, particularmente, considerá-las bastante distintas.

Ou, então, pode ser que minha dicção não esteja boa - porém, neste caso, só para quem ouvê, não para quem lê. Farei um teste com a esperança de parte do "problema" ser mais simples de ser resolvido.

Uma letra muda tudo

Sei que não posso ignorar o fato de que tem gente que confunde e mistura nomes. Ou que pode ter qualquer outra dificuldade em relação a isso. Mas cheguei ao nível de intolerância depois de perceber a importância de saber o nome correto dos outros.

É óbvio e ululante que uma letra muda tudo! Diversos nomes femininos possuem terminações com A e E, mas, porém, contudo, entretanto, todavia, nem por isso ninguém nunca disse que existia uma regra que nos levaria a deduzir o nome certo.

Um exemplo: a palavra "vivo", se escrita com A no final, tem o gênero alterado ou se transforma em verbo no imperativo. Isto é, o sentido pode mudar radicalmente.

Apenas como curiosidade, fiz uma rápida busca na Internet e comprovei o que imaginava! "Tatiana" é 13,5 vezes mais citado que "Tatiane"! Muito provavelmente também seja mais comum...

E tudo isso serviu para quê? Quero mostrar aqui que para alguns pode ser somente um detalhe ou um aparente erro bobo, mas - na realidade - uma letra faz toda a diferença. Sim, confesso que estou impondo certo rigor, porém, se meu nome é assim, não pode ser assado. Uma alternativa exclui a outra. Me identifico com uma e não com a outra.

As palavras foram criadas para identificar, nomear, diferenciar. Portanto, a incorreção no nome indica uma comunicação falha, além de provocar na "vítima" uma ira interior reprimida.




segunda-feira, 9 de julho de 2012

Tanabata Matsuri, o Festival das Estrelas

Minhas raízes têm falado mais alto e tenho estado mais em contato com a cultura japonesa. Uma das tradicionais festas que traz uma história bonita, mas um pouco trsite, é o Festival das Estrelas, o Tanabata Matsuri.

Origem

O Festival das Estrelas tem origem em uma antiga lenda japonesa, criada há quatro mil anos e inspirada nas estrelas Vega e Altair. A Princesa Orihime era filha de um poderoso deus do reino celestial e excelente tecelã - confeccionava a mais perfeita seda de que se tinha notícia.

Preocupado com sua excessiva dedicação, o rei ordenou que ela se distraísse com passeios diários pelo reino. Em uma dessas ocasiões, Orihime conheceu o pastor Kengyu e os dois se apaixonaram.

O pai da jovem consentiu o casamento entre eles. Porém, esquecendo-se completamente de suas obrigações, a princesa tecelã e o pastor dedicaram todo o tempo a esta paixão e, por este motivo, foram castigados, sendo transformados em estrelas e separados pela Via Láctea.

Comovido com a tristeza do casal, o Senhor Celestial permite um único encontro entre os dois, no sétimo dia do sétimo mês do ano. Orihime e Kengyu atendem aos pedidos feitos em papéis coloridos (irogami) e pendurados em bambus (sassadake) em agradecimento à dádiva recebida.

Segundo a mitologia japonesa, a princesa é representada pela estrela Vega, e o pastor, pela estrela Altair, do lado oposto da galáxia, fazendo com que realmente se encontrem uma vez por ano.

A festa passou a ser celebrada há mais de 1.150 anos, na Corte Imperial, e a data tornou-se feriado nacional em 1603.

O festival no Japão e no Brasil

No Japão, o Tanabata Matsuri é realizado em diversas cidades no mês de agosto,  para aproveitar as férias de verão das escolas. O festival da província de Miyagui é o mais tradicional.

Já no Brasil, o Festival das Estrelas é realizado desde 1979 pela ACAL – Associação Cultural e Assistencial da Liberdade e pela Associação da Província de Miyagui, na Praça da Liberdade, em São Paulo, sempre em julho.

As ruas Galvão Bueno e dos Estudantes, e a praça são decoradas com grandes ramos de bambu que recebem a ornamentação de enfeites coloridos de papel para representar as estrelas. Nesses bambus, são pendurados os tanzaku, pequenos pedaços também coloridos de papel, em que as pessoas escrevem seus pedidos. As cores do tanzaku são vermelho (força e coragem), verde (esperança), amarelo (prosperidade), branco (paz) e preto (esforço e concentração).

Shows de cantores, taikô, música, dança folclórica, entre outros, fazem parte das atrações da festa, que é a principal atividade anual do bairro.

Neste ano, foi realizada a 34ª edição do São Paulo Sendai Tanabata Matsuri.

Canção tradicional

Uma música tradicional do Tanabata Matsuri trata do costume de escrever os desejos no tanzaku.

Sasa no ha sara-sara
Nokiba ni yureru
Ohoshi-sama kira-kira
Kingin sunago
Goshiki no tanzaku
Watashi ga kaita
Ohoshi-sama kira-kira
Sora kara miteiru

Tradução

A folha do bambu rumureja
Agita-se na beirada
As estrelas cintilam
No ouro e prata dos grãos de areia
Os cartões em cinco cores
Já os escrevi
As estrelas cintilam
E nos observam lá do céu


Fonte:
Site da Associação Miyagui Kenjinkai do Brasil
www.culturajaponesa.com.br
www.nipocultura.com.br
www.nikkeypedia.org.br


terça-feira, 1 de maio de 2012

Laços de família - Parte 2

Como já havia comentado em um post anterior, minha família - tanto por parte de pai quanto de mãe - não tem promovido reuniões com parentes há muito tempo, desde que eu era criança. Imaginava que, como no meu caso, era quase regra entre os outros, porém, parecem existir muitas famílias que se encontram e ainda mantêm contato.

No último domingo, tive a certeza de que as reuniões entre parentes é mais comum do que pensava. Cerca de 50 pessoas comemoravam o aniversário da bachan ("avó", em japonês) - muito fofa, aliás - que completava nada menos que 90 anos. As doze ou treze mesas que ocupavam iam de uma ponta do restaurante à outra.

Para mim, foi impossível não observar.
Não só o número de presentes surpreendia: a mestiçagem também impressionava. Poderia-se dizer que metade da família era descendente de japoneses, sem "mistura", enquanto a outra parte era claramente mestiça, com cabelos levemente acastanhados e olhos discretamente amendoados.

Confesso que me emocionei com o evento todo. A quantidade de participantes, a alegria e a autenticidade do amor e carinho com a família, o bolo (lindo!) com uma vela que tinha uma espécie de labareda e a reunião em si. De fato, a celebração merecia juntar todos!

Tudo isto era real, presenciei aquilo. A semelhança com minha história de vida é que essas cenas estão apenas na lembrança, um tanto distante da realidade atual. Percebi que sinto falta deste contato com as pessoas que têm algo em comum comigo, as origens.

Apesar da saudade e do distanciamento, sei que - uma vez cortados os laços - estes não serão refeitos. E, mesmo com uma certa tristeza, por outro lado, fico contente em saber que nem a distância física, os compromissos, as responsabilidades e nem as próprias vidas foram suficientemente fortes para se esquecer deste sentimento e separar algumas famílias.

domingo, 22 de abril de 2012

Brasileira! - Parte 2

Passei por uma experiência, digamos, diferente na primeira viagem que fiz para Europa, no início do mês. Meus traços orientais me "camuflaram" por lá, pois muitos não desconfiavam que fosse brasileira - e de olhos puxados!

Como não quis ir completamente sozinha, decidi fazer um tour em grupo e conheci pessoas de diversos países, inclusive malaias (meninas da Malásia, isto é, asiáticas).

Conversando com o único sul coreano do grupo e um australiano, descobri que eles achavam que eu era chinesa. Quando disse que sou brasileira, eles ficaram surpresos e curiosos para saber como era o Rio de Janeiro (que não conheço) e São Paulo.

Até uma das malaias confessou que achava que eu era chinesa. Depois, falou que - pensando melhor - eu parecia mais japonesa... (risos) Aí, outra observou que elas estão acostumadas a ver chineses e, por isso, conseguem diferenciar.

O que me surpreendeu foi encontrar duas chinesas numa cidade minúscula da República Tcheca, Kutná Hora, e ter mais uma história para contar. Elas mexiam numa câmera semi-profissional e me viram passando com a minha câmera pendurada no pescoço. Sinceramente, acho que elas devem ter pensado que minha cara de oriental dizia que eu sabia usar este tipo de câmera e provavelmente tirar fotos boas. Uma delas perguntou, em Inglês, se eu poderia fotografá-las e respondi que tudo bem. A outra falou umas frases ininteligíveis com a primeira que me perguntou se eu falava chinês (!). Pensei: "não acredito, até as chinesas me identificaram como uma compatriota!" Falei que não... Nos comunicamos em Inglês mesmo e consegui fotografar a cena que elas imaginaram.


Percebi que Praga, capital da República Tcheca, é um destino comum entre chineses. Vi diversos grupos andando pela cidade. E fui confundida como sendo chinesa mais uma vez. Uma noite, decidi experimentar um chocolate quente famoso e caminhei de volta ao hotel. No caminho, entrei em uma das poucas lojas de souvenir que estavam abertas naquele horário. Loja grande. Logo que cheguei, um senhor careca, porém aparentemente simpático, fez uma reverência e falou "oi, tudo bem?" em nada menos que em japonês, chinês e coreano. Na sequência, disse algo em alemão e retruquei - na mesma língua - que falo um pouco só. E, enfim, soltou uma frase em espanhol e respondi que não sou da Espanha, também na mesma língua. Ele desistiu de conversar comigo.

Surgiu outro homem que já perguntou de onde eu era, em inglês. Ao responder "Brasil", ele ficou surpreso e até falou uma palavra ou outra em português. E, seguindo a "regra", também pensou que eu fosse chinesa. Como já estava cada vez mais inconformada, tive de matar minha curiosidade e descobrir por que sempre me associam com a China. O diálogo foi algo assim:

Eu - Você é vendedor aqui, não é?
Vendedor - Sim.
Eu - Vocês devem estar acostumados a receber muitos turistas, inclusive chineses. A cidade sempre recebe muitos turistas.
Vendedor - É.
Eu - Então acho que vocês, por receberem sempre muitos turistas, poderiam diferenciar os chineses das pessoas de outros lugares pela roupa e o comportamento.
Vendedor - (acho que ele disse que não sabe diferenciar e reafirmou que ele imaginou que eu fosse chinesa)

Pois é, falta prestar um pouco de atenção. Só.

Durante a viagem, teve ainda um episódio "decepcionante". Aconteceu no elevador da torre do Relógio Astronômico, em Praga também. Desci, mas queria subir de novo. Estavam comigo um casal hispânico, uma pessoa na qual não reparei e um casal de brasileiros. A pessoa saiu e tanto eu quanto o homem hispânico demos passagem. Minha ideia era deixar todos saírem e continuar no elevador para subir novamente. Aí, a brasileira disse: "Go ahead! Go ahead!", mas não saí. Não sei se ela pensou que não tinha entendido, talvez por ter achado que eu era chinesa, e segurou meu braço, me puxando para fora! Fiquei revoltada, porém, não tive reação, não falei nada, só pensei em não gastar energia com uma discussão boba. Muita falta de respeito! Quando me lembro disso, fico com muita raiva!

Cheguei à conclusão de que essa viagem foi uma aventura. Fiquei surpresa em descobrir que a maioria das pessoas - de variadas nacionalidades - imaginavam que eu fosse chinesa. Ainda não sei se é por ter traços asiáticos, pelo comportamento, pela timidez, porque os chineses estão em todos os lugares... Assim, fica a dúvida: por que acham que sou chinesa?


Outros posts
Brasileira!


domingo, 15 de janeiro de 2012

O Ano Novo no Japão

Nestes últimos dias, lembrei que havia escrito um texto sobre a tradição japonesa no Ano Novo. 2012 já chegou, mas vale a leitura!


A chegada de um novo ano significa o início de um período de renovação. No Brasil, tem-se uma forte influência das raízes africanas. As roupas brancas são quase unânimes para atrair paz, principalmente para aqueles que vão ao litoral assistir à queima de fogos, pular sete ondas ou fazer oferendas.

Já a tradição japonesa da festa de Ano Novo é ainda mais religiosa. Preceitos budistas são seguidos fielmente.

Conheça alguns costumes do oshougatsu (Ano Novo) no Japão.

A passagem do ano é a data mais importante no calendário japonês e a festa pode se estender por três dias ou até uma semana. De cunho religioso, a data é reservada para se fazer a purificação, orações e dar boas-vindas ao ano que se inicia. Além disso, as famílias assistem ao Kouhaku Utagassen, show de música com cantores famosos que se tornou tradicional no Japão.

Os preparativos começam com alguns dias de antecedência. Acredita-se que para entrar no ano novo é preciso ter tudo limpo. Por isso, as donas de casa iniciam, em novembro, faxinas em suas residências, chamadas oosouji, uma espécie de purificação. É uma boa oportunidade para trocar tatamis e o papel utilizado nas divisórias ou portas corrediças (shouji). Nas empresas, os funcionários fazem um mutirão no ambiente de trabalho.

A entrada das casas é adornada com o kadomatsu, um arranjo de folhas de matsu, similares a folhas de pinheiro (símbolo de longevidade), haste de bambu (símbolo de persistência) e galhos de ameixeira (símbolo de prosperidade). Uma das peças decorativas mais tradicionais, tem a função de trazer sorte aos seus moradores. O shimenawa, enfeite de papel branco também comum no Ano Novo, serve para espantar os maus espíritos. Acredita-se que uma casa com shimenawa é um lugar purificado para receber divindades.

Data religiosa

A cerimônia do Joya no kane, celebrada na noite do dia 31 de dezembro, consiste em tocar o sino 108 vezes, sendo a última badalada à meia-noite. Segundo a crença budista, as badaladas representam os pecados ou desejos mundanos do homem. Tocar o sino serve, então, para afastar esses desejos, para que o homem esteja purificado no novo ano.

Logo cedo, no dia 1º de janeiro, os japoneses fazem o a primeira visita a um templo budista ou um santuário xintoísta, chamada de hatsumode. As jovens se divertem ao vestir quimonos coloridos e ao passear com familiares, amigos ou namorados.

Outro costume é de se colocar o kagamimochi - dois mochi (bolos de arroz), um sobre o outro, decorados com papel japonês, folhas de matsu e daidai (laranja nipônica) - sobre um altar, como forma de agradecimento aos deuses budistas e xintoístas.

Comidas

Osechi-ryouri é a refeição dos três primeiros dias do ano, que inclui diversos pratos dispostos em caixa de madeira laqueada (juubako). Não se pode trabalhar nos dias do oshougatsu e as donas de casa já deixam, então, tudo preparado, com alimentos que passem por esse período sem estragar. Assim, surgiu a tradição de comer, na última noite do ano, o toshikoshisoba, o macarrão de passagem de ano, que simboliza longevidade, pois remete à barba e aos cabelos dos deuses de longa vida.

Presentes

Otoshidama é o presente dado em dinheiro, dentro de um envelope, pelos pais ou parentes às crianças, que podem comprar o que desejarem.

Os cartões de Ano Novo japoneses, os neganjus, têm tanta importância quanto na cultura ocidental. Algumas vezes, os desenhos são feitos pelos próprios remetentes e um dos temas preferidos é o zodíaco chinês.

Brincadeiras

As crianças divertem-se com brinquedos que no fim do ano ganham significado especial. Os meninos jogam pião (koma) e empinam pipas (takoage). Já as meninas brincam com peteca (hanetsuki), com suas raquetes de madeira decoradas, conhecidas como hagoitas. Quem deixar cair a peteca recebe uma pincelada de nanquim no rosto como punição.

Kakizome

Geralmente no dia 2 de janeiro, as crianças japonesas reúnem-se para a primeira caligrafia do ano. Em um papel branco fino, escrevem com tinta nanquim um poema ou uma resolução para o novo ano, por exemplo. Lá, todos os anos, são organizados concursos e exposições dos trabalhos infantis.

Ao contrário dos ocidentais que saúdam o futuro ao dizer “Feliz Ano Novo”, os japoneses agradecem pelos pedidos atendidos no ano que está para terminar, dizendo: “Akemashite omedetou gozaimasu”.

Festas

Bonenkai é a festa de final de ano que reúne famílias, amigos, funcionários de uma empresa, entre outros, para confraternizar e esquecer tudo de ruim que aconteceu no ano passado.

shinenkai é a festa para comemorar a entrada de um novo ano – que também poderá reunir todo esse pessoal para desejar sorte, abundância e felicidade para o novo ano.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sayonara

Ano passado foi um período de muitas emoções para mim. Freelas que exigiam trabalhos diferentes, aprendizado, esforço e contato com pessoas diferentes. Num freela desses, conheci a dona Eiko Kanazawa.

Uma senhorinha nissei (filha de japoneses) muito simpática que ajudou uma pequena fábrica de doces se tornar uma grande distribuidora. Ela faz parte do grupo de pioneiros japoneses que se instalaram no bairro da Liberdade, em São Paulo, e desenvolveram o comércio local.

Esta foi a pauta da matéria que fiz no início de 2010, intitulada "Pontos comerciais guardam a história do bairro da Liberdade". Fui até a loja para ouvir o depoimento dela, entre alguns outros.

No início, assim como muitos japoneses, ela ficou um tanto receosa, mesmo que eu tenha falado para qual jornal ia ser a matéria. Mas logo percebeu que a conversa poderia ser boa. A senhora Kanazawa me contou sobre a história de sua loja - que teve uma ajuda de sua família -, sobre o bairro oriental e até de alguns de seus hábitos.

Me chamou a atenção o fato de ela ser bastante ativa. Todos os dias marcava presença nas aulas de ginástica para terceira idade às 6h. Além disso, fazia uma curta caminhada até sua loja, também diariamente.

Agendei um novo encontro para o fim de semana passado. Confesso que é uma vergonha levar uma cópia da matéria para os entrevistados quase um ano depois de ser publicada. E foi justamente o tempo que fez a diferença.


Ao chegar à loja, perguntei pela senhora Eiko Kanazawa e tive uma resposta objetiva-grossa. "A dona? Ela faleceu no ano passado." Fiquei atordoada, sem reação, me sentindo culpada. Tudo ao mesmo tempo.


Fui encaminhada para uma senhorinha japonesa que faz a venda dos doces. Amiga de dona Eiko. Não cheguei a me apresentar, mas expliquei o porquê de minha visita. Quando ela entendeu, abriu um sorriso e demonstrou sua felicidade. Disse que o filho Kanazawa iria ficar feliz com a matéria e com a foto que tirei dela.


De fato, nunca imaginei que fosse procurar por uma pessoa e ela não estar lá já há um tempo. Só não me martirizei, porque a reação da senhorinha amenizou meu sentimento de culpa.


Tudo que desejo agora é que a dona Eiko descanse em paz. Sayonara*, Kanazawa san!



*Sayonara significa "adeus" em japonês.



domingo, 19 de abril de 2009

Brasileira!

A primeira certeza que se tem ao me ver é o fato de eu ter olhos puxados. Isso é bem verdade. Mas alguns deduzem errado.

Mais de uma vez, ouvi a pergunta: "você é chinesa?". E minha resposta foi algo do tipo: "nããão, sou brasileira! Meus bisavós vieram do Japão para o Brasil quando eram pequenos". Será que pareço chinesa?

Certo dia, no ônibus - onde acontecem fatos inusitados - uma senhora senta-se ao meu lado com cara de interrogação. Minutos depois, vira-se para mim e pergunta algo muito ininteligível para quem tem o português como língua nativa, o inglês como segunda língua e conhecimentos de alemão, francês e espanhol (o que não é pouco!).

Eu é que fiquei com cara de interrogação. Daí, a senhora percebeu que eu não havia entendido e perguntou num português objetivo e com sotaque: "coreana?". E eu, absolutamente determinada: "não". Será que pareço coreana?

O mais desagradável, no fim, é ser obrigada a ouvir certas palavras quando ando pela rua. "Konnichiwa", "sayonara", "arigatou", "sushi, sashimi" ou pior, neologismos bizarros que nem sequer são palavras em japonês. Será que pareço japonesa?

Até passei por japonesa, até revelar que sou brasileira, mas tenho raízes nipônicas. Uns apenas disseram "ah", enquanto outros resistiram e insistiram em não acreditar, provavelmente por considerarem impossível uma oriental ser latino-americana.

No Brasil, temos o privilégio de poder conhecer tantas culturas e pessoas diferentes. Os orientais - japoneses, chineses e coreanos - têm semelhanças, mas o que os torna igualmente interessantes são exatamente as suas diferenças. Palavras de uma brasileira.


sábado, 8 de novembro de 2008

Uma poesia

Escrevi uma poesia sobre como sou, mas como nem todo mundo vê. Não culpo ninguém por ter uma visão estereotipada, porque são idéias enraizadas na própria sociedade.

Calma, não precisa se desesperar e achar que estou falando coisas sem sentido. Só lendo para entender...

Para quem me conhece há mais tempo, reconhecerá algumas características. E para quem não me conhece, leia e me conheça um pouco!

Quem ainda não desistiu de ler, comente para eu saber que existem leitores ainda!

Observação: sei que a poesia não está gramaticalmente correta, preferi deixar numa linguagem mais informal. O desenho foi minha irmã que fez...


Tatiana por Tati
Não é só porque meu nome é Tatiana
que sou quebra-barraco
Não é só porque meu apelido é Tati
que meu nome é TatianE

Não é só porque serei jornalista
que não poderei ser poeta
e que trabalharei no Jornal Nacional

Não é só porque sou baixinha
que sou invisível
Não é só porque sou oriental
que sei falar japonês,
que não sei falar outras línguas
e que não sou brasileira
Não é só porque gosto de desenhos animados
que sou criança

Não é só porque estou presente
que estou prestando atenção
Não é só porque sou tímida
que sou metida
Não é só porque fico quieta
que não gosto de conversar
Não é só porque pareço brava
que brigo à toa
Não é só porque sou amigável
que não tenho pensamentos vingativos
Não é só porque sou sonhadora
que me esqueço da realidade
Não é só porque sou exigente
que não chegarei próximo ao que desejo
Não é só porque gosto de “cultura inútil”
que sou alienada e não tenho conteúdo
Não é só porque sou “séria”
que não faço piadas
Não é só porque penso duas vezes
Que não faço besteiras

Não é só porque estou distante
que não me importo com as pessoas queridas
e que me esqueci delas
Não é só porque faz tempo
que não lembro
Não é só porque não vejo ou mostro
que não sinto
Não é só porque agradeci um favor
Que não tenho uma dívida



Outros posts