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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A equação da vida

Vi O Pequeno Príncipe e amei! A história do livro homônimo, do escritor Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), é linda. E o filme, dirigido por Mark Osborne, conseguiu encaixar bem a mensagem da obra e incluir itens da atualidade, como a vida dos empregados que precisam ser essenciais para as companhias onde trabalham.


A amizade entre a menina e o aviador é pura, natural, divertida. É assim que a garota aprende coisas sobre a vida, o que não aprenderia estudando (muita Matemática) em casa sozinha. O foco nos livros e na futura formação em uma boa faculdade era o que a mãe tinha planejado para a filha se tornar uma ótima adulta.

Claro que minha música favorita do filme, uma parceria do compositor Hans Zimmer e a cantora Camille, é exatamente uma que mostra o quanto o aviador é importante para a menina.

Veja a letra (em Francês) e o vídeo abaixo! :)

Equation

1 + 1 font 2
2 + 1 fait 3
Tu me tire ainsi, les larmes ou la pluie,
Fait chavirer les nuages!
Et si le soleil
Descendra du ciel
Lundi
Dans une heure,
Une vie,
Une semaine,
Une semaine et demi,
Une année,
Un million d'années.
Un peu loin des yeux,
Plutôt près de toi,
Je ne compte que sur mes doigts.
Si par coeur brisé,
Je n'ai que des A,
Est-ce que tu reviens pas,
Pas.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Uma reflexão sobre a vida

Desta vez, resgato um texto que conheci há alguns bons anos e é muito bonito. Talvez seja meu segundo favorito, o primeiro é um de Shakespeare.

"A vida" é de Henfil, Henrique de Souza Filho (1944-1988), que foi jornalista, escritor e cartunista brasileiro. Foi colaborador de diversos grandes jornais, publicou livros, esteve envolvido na política e trabalhou também com cinema, teatro e televisão. Henfil tinha hemofilia (uma doença que se caracteriza pela desordem no mecanismo de coagulação do sangue) e faleceu após contrair o vírus da Aids por conta de uma transfusão de sangue.

Boa leitura!


A vida

Por muito tempo, eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. Aí sim, a vida de verdade começaria. 

Por fim, cheguei à conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade. 
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade. 
A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem. 
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém. 
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
até que você volte para a faculdade;
até que você perca 5 kg;
até que você ganhe 5 kg;
até que seus filhos tenham saído de casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;
até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão, outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;
até que você tenha terminado seu drink;
até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra;
e decida que não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo...

Lembre-se: felicidade é uma viagem, não um destino.

domingo, 25 de agosto de 2013

Um suspiro poético

Nestes últimos dias, em que muitos pensamentos passaram por minha cabeça, resgato um poema que escrevi em 2008.

Posso dizer que é uma homenagem ao ilustríssimo Manuel Bandeira, uma poesia inspirada nos versos de "O Último Poema" (inspire-se aqui).

Boa leitura!

Último suspiro

meu último suspiro
é um suspiro 
por um verso
de amor
de emoção
de alegria

meu último suspiro
é um suspiro
por uma vida
de amizades
de paixões
de lembranças

meu último suspiro
é um suspiro
apenas um suspiro
por ar que me dá vida
para a viagem ao além

meu último suspiro
é um suspiro
de alívio
simples suspiro
suspiro poético
um suspiro
o suspiro
suspiro

terça-feira, 1 de maio de 2012

Laços de família - Parte 2

Como já havia comentado em um post anterior, minha família - tanto por parte de pai quanto de mãe - não tem promovido reuniões com parentes há muito tempo, desde que eu era criança. Imaginava que, como no meu caso, era quase regra entre os outros, porém, parecem existir muitas famílias que se encontram e ainda mantêm contato.

No último domingo, tive a certeza de que as reuniões entre parentes é mais comum do que pensava. Cerca de 50 pessoas comemoravam o aniversário da bachan ("avó", em japonês) - muito fofa, aliás - que completava nada menos que 90 anos. As doze ou treze mesas que ocupavam iam de uma ponta do restaurante à outra.

Para mim, foi impossível não observar.
Não só o número de presentes surpreendia: a mestiçagem também impressionava. Poderia-se dizer que metade da família era descendente de japoneses, sem "mistura", enquanto a outra parte era claramente mestiça, com cabelos levemente acastanhados e olhos discretamente amendoados.

Confesso que me emocionei com o evento todo. A quantidade de participantes, a alegria e a autenticidade do amor e carinho com a família, o bolo (lindo!) com uma vela que tinha uma espécie de labareda e a reunião em si. De fato, a celebração merecia juntar todos!

Tudo isto era real, presenciei aquilo. A semelhança com minha história de vida é que essas cenas estão apenas na lembrança, um tanto distante da realidade atual. Percebi que sinto falta deste contato com as pessoas que têm algo em comum comigo, as origens.

Apesar da saudade e do distanciamento, sei que - uma vez cortados os laços - estes não serão refeitos. E, mesmo com uma certa tristeza, por outro lado, fico contente em saber que nem a distância física, os compromissos, as responsabilidades e nem as próprias vidas foram suficientemente fortes para se esquecer deste sentimento e separar algumas famílias.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Um abraço

Abrace
Abrace as pessoas queridas
Abrace o quanto puder
Abrace

Não há palavras para explicar um abraço

A sensação de um abraço
A emoção de um abraço
O poder de um abraço

Abrace com palavras

Abrace com gestos
Abrace com sorrisos
Abrace

domingo, 25 de abril de 2010

Pais, filhos e o tempo

Você me diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais

Legião Urbana


Na correria do dia a dia, falta tempo para tudo. Principalmente para os paulistanos. Pode ser mera desculpa ou um motivo de verdade.

Pais trabalham muito, filhos estudam e saem muito. Além disso, a mãe geralmente tem as responsabilidades domésticas, o pai tem outros compromissos, enquanto os jovens têm de estudar e socializar.

Nessa relação, os pais têm o que chamamos "voz da experiência" e, do outro lado, os filhos têm novas ideias, novos conhecimentos e, claro, nova linguagem. Tenho certeza de que não sou a única que acha engraçado ouvir os pais falando gírias da época deles. Algumas vezes, é engraçado também quando eles tentam usar expressões atuais.

É curioso como mudamos nossa visão sobre eles. Quando crianças, os admiramos, às vezes, chegamos até a imaginá-los como "super". Depois, nos tornamos adolescentes e passamos a ser críticos com eles. Finalmente, quando atingimos a fase adulta, começamos a tentar entendê-los - fazemos parte do mundo deles, temos responsabilidades e problemas semelhantes. Por isso, voltamos a pensar que são "super" ou até mais que isso.

Certa vez, numa de minhas observações das pessoas espalhadas pelas ruas de São Paulo, um fato me chamou a atenção. Um dia de semana, horário de almoço, uma colegial despedia-se do pai. Com um beijo na bochecha. Uma cena rara. Ao menos nos dias de hoje.

Minha impressão é que pais e filhos estão cada vez mais distantes. Mas eu, por exemplo, quando posso, tento passar o dia, almoçar e conversar com meus pais. Tenho boas memórias de almoços em família. Eram conversas e risadas quase infinitas, algumas por causa de episódios meio malucos de viagens que fizemos.

Por esse motivo e por ter percebido que depois já pode ser tarde, sei o quanto esses momentos são preciosos. Não significa que não se deve ter liberdade para estar e sair com outras pessoas queridas. Porém é importante aproveitar um momento com a família, um almoço ou um jantar, e que estas horas se tornem lembranças - e um ensinamento - para futuros pais.


"Pais e filhos", Legião Urbana




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Laços de família

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Isso é amor?

O amor é tudo. Ou nada. O amor é ilusão ou conto de fada. E o amor pode ser antes paixão e promessa. Faz o amante enlouquecer e dizer que confessa.

Nem sempre o amor está presente. Porém existe sempre quem tente.

O desamor resultante do amor afasta. O coração de pobres amantes arrasa.

Falar de amor é delicado. Vivê-lo é complicado.

Quanto ao amor verdadeiro?

A verdade do amor.

A verdade e o amor.

A verdade no amor.

A verdade sem o amor.

Presentes + confissões = demonstração do amor

"Te amo" = reafirmação do amor

Não, não, o amor não é uma ciência exata.

Um sentimento procurado em todos os lugares, por toda a vida, perdido no tempo.

Sentimento sem definições, certezas e razões. Esperado, esquecido, extinto.




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Haikai

domingo, 14 de junho de 2009

Enamorados

Noite de 12 de junho em São Paulo. Muitas pessoas na rua, no metrô, por aí. Casais andando, casais passeando, casais jantando. Casais conversando, casais comemorando, casais namorando. Este foi o Dia dos Namorados na emenda de feriado.

Mais que qualquer dia, a rua e os restaurantes foram tomados por namorados. Sim, é uma data romântica. E, sim, também é uma data "marketeira" - o quanto os namorados e namoradas não movimentam a economia nacional comprando uma lembrancinha ou um presente?

Dia de cinema

Também foi dia de Noitão no HSBC Belas Artes, especial de aniversário de 5 anos e com exibição de cinco filmes. Estava cheio, tinha muita gente na fila e os ingressos estavam esgotados. As sessões iriam começar por volta da meia-noite.

O primeiro filme foi A comunidade (2000), dirigido por Alex de Ia Iglesia. Pensei que fosse ter medo, porque uma sinopse indicava como "terror cômico". Não curto este gênero. Mas não fiquei com medo e nem com sono. Rendeu várias risadas. Algumas sacadas tendiam para o trash, o que tornava o filme engraçado e até inteligente. A atriz Carmen Maura (Volver) é a protagonista.

Em seguida, saímos correndo para assistir a Tinha que ser você (2009), de Joel Hopkins, pré-estreia. Apesar de ter começado depois das duas da manhã e ser romântico, não pisquei os olhos. Os personagens principais, interpretados por Dustin Hoffman e Emma Thompson, que dispensam apresentações, eram solitários na trama. Sentimental e, eu diria, "bonitinho" - traduzindo, "água com açúcar".

O último desta maratona foi arriscado. Poderíamos ver A Onda ou Nathalie X, porém, decidimos apostar no "filme surpresa". Espera mais longa... Pessoas bocejavam ou tinham expressão de cansaço. Eram mais de quatro horas da madrugada.

Para nossa alegria, o filme era francês, intitulado Paris (2008), do diretor Cédric Klaplisch. Não que o filme fosse chato ou ruim, embora um tanto parado, mas meus olhos foram fechando até a imagem da tela sumir. Permaneci assim durante uns 15 ou 20 minutos. Enfim, o fato de Juliette Binoche ser a atriz mais conhecida no elenco não deixou a produção a desejar. Sí, la película es buena. As histórias, interligadas, eram tristes - um pouco à la Iñárritu.

Depois das seis horas cinéfilas...

O saldo do Noitão é um pouco deprimente para os solteiros, independentemente de finais felizes. A comunidade mostra a "união" pelo interesse; Tinha que ser você apresenta a mulher madura que foge de relacionamentos sérios porque tem certeza de que sofrerá quando tudo acabar; e Paris traz personagens em busca de algo, que não o amor, e a fatalidade do destino de outros, aqueles que amam.

Apesar dos desencontros e decepções, ingenuamente esperançosa ou não, ainda acredito na existência do amor.



domingo, 29 de março de 2009

A essência

Voltando ao propósito deste blog, como prometido, trago o famigerado soneto de amor de Camões, datado de 1595.

Até alguns anos atrás, considerava lindo este poema. Porém, hoje, soa um tanto dramático. Enfim. Profundo, belo, dramático, é uma produção literária fundamental para o conhecimento básico sobre poesia.

No fim, talvez a única pretensão seja de mostrar a contrariedade do amor.
Foto: divulgação

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento desconte;
É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luís Vaz de Camões (1524-1580), poeta português